TRINCHEIRA #13 01 JUN 2026

A maioria das empresas diz que usa IA. Poucas conseguem explicar o que ela entregou.

O IBGE publicou que 41,9% das empresas brasileiras com mais de 100 funcionários já utilizam inteligência artificial. A Thryv levantou que a adoção de IA generativa entre pequenas empresas saltou de 39% para 55% em um único ano. A Amcham confirma: IA virou prioridade estratégica no discurso de quase todo CEO.

Só que tem um dado que ninguém coloca no mesmo slide.

A Startupi apurou, em abril de 2026, que a IA ainda não se consolidou como capacidade operacional na maioria dessas empresas. Prioridade no discurso. Lacuna na operação.

Tenho visto isso de perto. Founder me mostra o dashboard do ChatGPT Teams com 23 usuários ativos. Pergunto: qual processo mudou, qual custo caiu, qual etapa foi eliminada. Silêncio. A ferramenta está lá, o hábito não foi construído, o resultado não aparece no P&L.

O erro não é comprar a ferramenta. O erro é não definir o caso de uso antes de ativar o contrato.

IA em PME funciona quando entra por uma dor mensurável: tempo de resposta ao cliente, retrabalho no financeiro, roteiro de onboarding que o time refaz do zero toda vez. Não funciona quando entra como iniciativa de "transformação digital" sem dono, sem prazo e sem métrica.

Na prática, o que tenho recomendado para quem quer sair do discurso e entrar na operação:

1. Escolha uma tarefa que acontece toda semana e custa tempo real. Não o processo mais complexo. O mais repetitivo.

2. Meça antes de automatizar. Quanto tempo leva hoje? Quantas pessoas tocam? Qual o custo por execução?

3. Rode por 30 dias com uma pessoa responsável. Não é projeto de TI. É mudança de hábito operacional.

4. Só escala depois de ter número. "Ficou mais fácil" não conta. "Caiu de 4 horas para 40 minutos por semana" conta.

41,9% de adoção declarada não vira vantagem competitiva. O que vira é a empresa que fecha o gap entre instalar e operar.


IA no RH da PME: Sólides aposta em reduzir rotatividade

A Sólides, HR tech focada em pequenas e médias empresas, anunciou em maio de 2026 uma camada de IA aplicada à gestão de pessoas. A proposta: reduzir rotatividade, organizar processos de RH e transformar a área em função estratégica, não só administrativa. A Bloomberg Línea cobriu o movimento como aposta direta no segmento de PMEs brasileiras.

Minha leitura

Vejo esse movimento como o mais relevante para PME hoje: IA entrando pelo RH, não pela TI. Tenho atendido empresas com 40, 60 funcionários onde o turn chega a 35% ao ano, e o gestor não consegue rastrear nem o motivo da saída. Ferramenta que organiza esse dado e gera alerta antes do pedido de demissão resolve um problema que o founder sente no caixa todo mês. O risco é contratar a plataforma e não nomear ninguém para ler o que ela produz.

Fonte: Bloomberg Línea Brasil


IA generativa em PMEs: adoção saltou 41% em um ano

Dados da Thryv compilados pela Checkmate mostram que a adoção de IA generativa entre pequenas empresas passou de 39% em 2024 para 55% em 2025, crescimento de 41% em 12 meses. No Brasil, o investimento total em tecnologia chegou a US$ 67,8 bilhões em 2025, com IA como principal vetor, segundo o Valor Econômico.

Minha leitura

O número impressiona, mas o que a pesquisa não separa é quantas dessas empresas usam IA para gerar texto avulso e quantas já automatizaram um processo inteiro. Na SAFIE, a gente passou por isso: ferramenta adotada por 80% do time, mas só 3 pessoas usavam de forma sistemática em fluxo real de trabalho. Adoção declarada e uso produtivo são métricas diferentes, e confundir as duas é o caminho mais rápido para jogar fora o investimento.

Fonte: Checkmate


Empresas priorizam IA, mas execução ainda trava

Pesquisa publicada pela Startupi em abril de 2026 mostra que a IA ocupa o centro do discurso estratégico das empresas brasileiras, mas ainda não virou capacidade operacional consolidada. O estudo aponta que maturidade baixa e falta de estrutura interna figuram como principais barreiras, mesmo entre empresas que já declararam IA como prioridade número um.

Minha leitura

Tenho recomendado para clientes que param nesse ponto uma checagem simples: se ninguém no time consegue nomear qual processo mudou depois de 90 dias com a ferramenta, o problema não é a IA. O problema é que a empresa comprou tecnologia sem antes mapear onde ela entraria. Vi um cliente de serviços gastar R$ 1.800 por mês em licença de plataforma de automação durante 5 meses sem rodar um único fluxo em produção. Prioridade estratégica sem processo de implementação vira custo fixo de prateleira.

Fonte: Startupi


Adotar IA sem medir é só atualizar o slide da apresentação.

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Lucas Mantovani

Empresário. Advogado. Co-fundador da SAFIE.

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