TRINCHEIRA #9 18 MAI 2026

Antes de contratar o agente de IA, arrume a casa

Tem uma cena que se repete nos últimos meses: founder fecha contrato com fornecedor de automação com IA, paga entre R$ 15 mil e R$ 40 mil de setup, e três semanas depois descobre que o agente não funciona. Não porque a tecnologia falhou. Porque os dados da empresa estão espalhados em quatro planilhas diferentes, dois CRMs abandonados e uma pasta de Drive sem dono.

O problema não é a IA. É o pré-requisito que ninguém cumpriu.

O dado de 2026 confirma isso na prática: apenas 17% das empresas brasileiras declararam ter dados acessíveis para IA agêntica. As outras 83% compram solução antes de ter base. E o resultado é previsível: o agente fica caro, lento, ou simplesmente não entrega o que prometeu na demo.

IA agêntica, para quem ainda não operou com isso, funciona diferente do copiloto. O copiloto responde quando você pergunta. O agente age por conta própria: dispara e-mail, atualiza registro, aciona tarefa, escala para humano quando necessário. Para agir, ele precisa ler dados de sistemas em tempo real. Dado sujo, fragmentado ou desatualizado quebra o ciclo na primeira execução.

O investimento total das empresas brasileiras em tecnologia chegou a US$ 67,8 bilhões em 2025, com crescimento de 18,5% puxado por IA. Em 2026, a projeção aponta US$ 3,4 bilhões específicos em IA. Parte relevante desse volume vai para projetos que não vão decolar porque ninguém fez o trabalho anterior.

O que fazer antes de contratar qualquer agente de IA:

Primeiro, mapeie onde os dados do seu negócio efetivamente vivem. Não onde deveriam viver. Onde estão de fato.

Segundo, escolha uma fonte única de verdade para cada tipo de dado crítico: cliente, pedido, estoque, financeiro. Um CRM ativo. Um ERP que o time usa de verdade. Sem isso, qualquer agente vai consumir dado inconsistente e entregar decisão errada.

Terceiro, rode um projeto piloto pequeno antes de escalar. Um processo. Um fluxo. Meça por 30 dias. Se funcionar, expande. Se não funcionar, o estrago custa R$ 5 mil, não R$ 40 mil.

A IA não substitui processo. Ela amplifica o que já existe. Operação bagunçada com IA fica bagunçada mais rápido e com mais custo.


17% das empresas têm dado pronto para IA agêntica

Levantamento publicado no LinkedIn com base em dados de 2026 aponta que apenas 17% das empresas brasileiras declararam ter dados acessíveis para implementar IA agêntica de forma efetiva. As outras 83% operam com estrutura de dados fragmentada, duplicada ou desatualizada, o que inviabiliza qualquer projeto de agente autônomo real.

Minha leitura

Tenho recomendado para clientes que pausem a contratação de agentes de IA e auditema o dado primeiro. Em dois casos recentes, o founder pagou o setup completo e o agente entregou resposta errada porque o CRM tinha registros duplicados de cliente desde 2022. Qualidade de dado não é detalhe técnico: define se o investimento em IA volta ou some.

Fonte: LinkedIn Pulse


Investimento em tech no Brasil subiu 18,5% com IA puxando

O Valor Econômico publicou em março de 2026 que os investimentos em tecnologia no Brasil chegaram a US$ 67,8 bilhões em 2025, alta de 18,5% sobre o ano anterior. IA concentrou a maior parte do crescimento. Para 2026, a projeção de expansão cai para 5,3%, sinal de que o mercado começa a cobrar resultado, não apenas adoção.

Minha leitura

O que observo na prática é que boa parte desse volume vai para projetos sem ROI definido antes da contratação. Founder compra ferramenta, não solução. A queda na projeção de 2026 para 5,3% reflete exatamente isso: o mercado começa a medir retorno, e muita plataforma vai ficar sem renovação de contrato no segundo semestre.

Fonte: Valor Econômico


IA já opera em metade das startups brasileiras

O Sebrae mapeou 22.869 startups brasileiras em março de 2026 e identificou que 50% já utilizam alguma forma de inteligência artificial na operação. O crescimento do ecossistema chegou a 26,7% em um ano. O modelo B2B predomina, com startups focadas em automação de processos para outras empresas.

Minha leitura

Na SAFIE a gente acompanha esse movimento de perto porque parte dos clientes são justamente essas startups B2B vendendo IA para PME. O risco que vejo: startup vende automação para empresa que não tem processo documentado, o projeto falha, e o contrato vira disputa. Vesting de expectativa sem entrega é problema jurídico, não só comercial.

Fonte: Agência Sebrae


Dado ruim com IA cara entrega resultado errado mais rápido. Organize a base antes de ligar o agente.

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Lucas Mantovani

Empresário. Advogado. Co-fundador da SAFIE.

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