TRINCHEIRA #3 04 MAI 2026

Agente de IA não é copiloto. É outra coisa.

Durante 2024 e boa parte de 2025, o mercado brasileiro de IA viveu a fase do copiloto: você digita um prompt, a ferramenta gera um texto, um código, um resumo. Util. Mas ainda dependente de um humano na cabine o tempo todo.

2026 mudou o jogo.

A conversa agora é sobre agentes. Sistemas que recebem um objetivo, montam o plano, executam etapas, corrigem o caminho e entregam resultado sem precisar de comando a cada passo. Não é ficção científica. Empresas brasileiras já rodam agentes em atendimento, prospecção, análise de contrato e conciliação financeira.

O número que mais me chamou atenção: empresas brasileiras devem injetar US$ 3,4 bilhões em IA só em 2026, com agentes como principal vetor de crescimento. Ao mesmo tempo, apenas 17% das empresas no Brasil chegam com maturidade de dados suficiente para extrair resultado real dessas ferramentas.

Esse gap é o ponto.

Founder que compra ferramenta de agente sem ter processo documentado vai gastar dinheiro para automatizar caos. A IA não corrige processo ruim. Ela acelera o que já existe, bom ou ruim.

O que observo na prática: empresas que tiram resultado real de IA em 2026 fizeram duas coisas antes de contratar qualquer ferramenta. Primeiro, mapearam os 3 a 5 processos que consomem mais horas de time e têm output previsível. Segundo, documentaram esses processos com entrada, saída e critério de erro definidos.

Atendimento ao cliente com SLA de 4 horas. Triagem de lead com 6 campos de qualificação. Conciliação financeira com tolerância de R$ 0,50 de diferença. Processo com régua clara vira candidato a agente. Processo vago vira dor de cabeça com interface bonita.

Aplicação prática:

Antes de assinar qualquer contrato de IA agêntica, responda duas perguntas:

1. Qual processo vai automatizar, com entrada e saída definidas por escrito?

2. Qual métrica vai usar para medir se funcionou, em 30 dias?

Se não souber responder as duas em menos de 5 minutos, o problema não é ferramenta. O processo precisa ser estruturado antes.


Brasil vai investir US$ 3,4 bi em IA em 2026

Levantamento aponta que empresas brasileiras aceleram investimento em inteligência artificial neste ano, com foco em agentes de IA como principal frente de adoção. O volume representa salto significativo em relação aos anos anteriores e coloca o Brasil entre os maiores mercados emergentes de IA corporativa.

Minha leitura

Vejo esse número chegar em reunião de board como argumento para aprovar budget de IA sem critério nenhum. Founder apresenta o slide dos US$ 3,4 bilhões, gestor aprova R$ 80 mil em ferramenta, e três meses depois ninguém consegue medir o que mudou. Investimento sem métrica de 30 dias vira custo disfarçado de inovação.

Fonte: Instagram/Relatório de mercado


Só 17% das empresas brasileiras prontas para IA agêntica

Artigo com base em dados de maturidade digital mostra que apenas 17% das empresas no Brasil reúnem as condições estruturais para implementar IA agêntica com resultado. O principal gargalo identificado: qualidade e organização dos dados internos, não falta de acesso a ferramentas.

Minha leitura

Tenho recomendado para clientes que antes de contratar qualquer agente, rodem um diagnóstico simples: peçam ao time que documente um processo em menos de uma página, com input, output e critério de erro. Se o time não consegue, o dado que alimentaria o agente também não existe de forma utilizável. Ferramenta certa em base de dados bagunçada entrega resultado bagunçado mais rápido.

Fonte: LinkedIn Pulse


IA em metade das startups brasileiras, mas uso ainda raso

Levantamento do Sebrae Startups mapeou 22.869 empresas inovadoras e identificou que 50% já utilizam IA em alguma função. O crescimento foi de 26,7% em um ano. A maioria dos usos concentra em geração de conteúdo e automação de atendimento, com poucos casos de aplicação em decisão estratégica ou operação central do negócio.

Minha leitura

Na SAFIE a gente passou por isso no início de 2025: IA em 4 pontos da operação, mas nenhum deles tocava o fluxo crítico de análise de risco. Resultado: produtividade marginal melhorou, mas o gargalo principal ficou intacto por mais seis meses. IA no periférico enquanto o core sangra é o erro mais comum que vejo em PME que "já usa IA".

Fonte: Agência Sebrae


IA que não toca o processo crítico é decoração de pitch.

Me segue no Instagram para continuar esse papo no dia a dia: @lucasm.mantovani

Lucas Mantovani

Empresário. Advogado. Co-fundador da SAFIE.

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