EMPRESA & OPERAÇÃO #31 15 AGO 2026

A transição tributária começou. Sua empresa já está preparada?

Desde o início de 2026, qualquer empresa brasileira convive com dois sistemas tributários ao mesmo tempo.

De um lado, ICMS, ISS, PIS e COFINS ainda existem. Do outro, as alíquotas de teste do CBS e do IBS já estão rodando: 0,9% sobre as operações, com crédito devolvido. A transição para o IVA dual está em curso. Não é teoria, não é promessa de Brasília. A Machado Meyer publicou um guia técnico em agosto confirmando que o período operacional está ativo.

O problema concreto: empresas que não ajustaram o ERP vão emitir nota fiscal errada. Contratos fechados antes de janeiro de 2026 carregam cláusulas de reajuste que não preveem a mudança de base de cálculo. Fornecedores do setor de serviços operam em regimes diferentes dos compradores de indústria e comércio. Cada cruzamento vira um risco.

Tenho visto na prática que o ruído maior fica no setor de serviços. A indústria e o comércio saem relativamente melhor, porque a estrutura de créditos no IVA favorece quem compra insumo. Prestador de serviço paga para descobrir isso na primeira autuação.

O que a reforma exige em 2026 é simples de enunciar e trabalhoso de executar: mapear contratos, ajustar sistemas, e revisitar o regime tributário escolhido no início do ano. Quem fez essa revisão em janeiro com base nas antigas alíquotas de PIS/COFINS provavelmente precisa refazer a conta com CBS na mesa.

O ponto que mais chama atenção no guia técnico publicado recentemente é o prazo: a transição segue até 2033. Sete anos. Significa que o empresário que relaxar agora vai precisar de ajuste emergencial lá na frente. A pressão para acertar o modelo cedo é real, porque recontratação de sistema tributário em momento de crise custa mais caro do que planejamento feito com calma.

Para quem opera PME, o caminho mais curto é revisar contratos com clientes e fornecedores buscando cláusulas de reequilíbrio atreladas à mudança de regime. E validar com o contador se o regime atual ainda é o melhor para o perfil de créditos que a empresa vai acumular no novo sistema.

A reforma já chegou. O que falta é a empresa chegar junto.


Reforma tributária: o segundo semestre de 2026 marca o início real da transição

O segundo semestre de 2026 coloca em operação a fase de testes do sistema tributário reformado. O CBS (federal) e o IBS (subnacional) já incidem sobre as operações com alíquota de 0,9%, com devolução de crédito. As empresas precisam emitir documentos fiscais dentro da nova estrutura enquanto mantêm o sistema antigo ativo. A coexistência dos dois regimes exige ajuste de ERP, revisão de contratos e reavaliação de regime tributário.

Minha leitura

Tenho recomendado para clientes de serviço que não deixem a revisão de regime para o quarto trimestre. Um prestador de serviços com faturamento de R$ 4 milhões anuais pode ter cálculo de CBS e crédito completamente diferente dependendo de como estruturou a cadeia de fornecedores. Quem revisou o Simples Nacional em janeiro sem considerar o novo modelo de crédito vai precisar refazer a conta antes de dezembro.

Fonte: https://www.machadomeyer.com.br/pt/inteligencia-juridica/publicacoes-ij/tributario-ij/reforma-tributaria-guia-para-empresas-no-segundo-semestre-de-2026


IA custa margem quando a empresa não controla o gasto variável

Um levantamento publicado pelo TI Inside em junho de 2026 mostrou que gastos com IA corroem a margem de médias empresas no Brasil. O custo não aparece na folha de pagamento: aparece no fechamento do mês, distribuído entre licenças de ferramentas, consumo de API por volume e camadas de automação contratadas sem critério de retorno. Empresas sem governança de custo de IA relataram surpresas de até dois dígitos percentuais na margem operacional.

Minha leitura

Na SAFIE a gente passou por versão menor desse problema quando automatizou parte do fluxo de documentos. A ferramenta rodava certo, mas o custo por requisição escalou junto com o volume e ninguém estava monitorando. O que observo na prática é que IA sem centro de custo definido vira despesa invisível. Antes de contratar qualquer nova camada, a empresa precisa mapear o custo por processo automatizado e comparar com o custo do processo manual que foi substituído.

Fonte: https://tiinside.com.br/24/06/2026/gastos-com-ia-corroem-margem-de-medias-empresas-mostra-levantamento/


Se esse tipo de análise faz parte do que você acompanha na operação, vale seguir o que posto no dia a dia: @lucasm.mantovani no Instagram.

Lucas Mantovani

Empresário. Advogado. Co-fundador da SAFIE.

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