O Copom cortou a Selic para 14,00% ao ano na última reunião. O mercado comemorou. O Focus projeta inflação abaixo de 4% em 2026 pela primeira vez desde dezembro de 2024. O FMI revisou o PIB brasileiro para 2,4% de crescimento neste ano.
Boa notícia no papel. Na prática, para quem opera uma empresa de médio porte no Brasil, o custo efetivo do crédito continua pesado.
O spread bancário absorve boa parte do corte. A Selic saiu de 15,00% em janeiro para 14,00% agora, uma redução de 1 ponto percentual em sete meses. No balcão do banco, o gestor financeiro que foi renegociar capital de giro em agosto encontrou taxas que ainda partem de 2,5% ao mês para pequenas operações. O corte da Selic, até aqui, chegou mais rápido nos títulos públicos do que nas linhas de crédito para empresa.
Tem um segundo problema. Com Selic em 14,00% e inflação convergindo para a meta, o custo de oportunidade do capital ainda é alto. O empresário que avalia um investimento em expansão precisa superar uma barreira real antes de decidir alocar caixa em ativos produtivos. Muitos ficam em renda fixa e adiaram decisão de capex para o segundo semestre, esperando mais um ou dois cortes.
O que tenho visto na prática: empresas que estruturaram bem o balanço nos últimos dois anos, com dívida prefixada fechada em 2024, chegaram a agosto de 2026 com custo de dívida médio abaixo do mercado atual. Quem ficou em crédito rotativo e variável segue pagando caro.
O ciclo de queda da Selic cria janela real para refinanciamento. Mas a janela beneficia quem tem balanço organizado para apresentar ao banco, histórico de pagamento limpo e capacidade de mostrar fluxo de caixa projetado. Quem chega sem isso encontra spread alto independente do cenário macro.
O jogo, agora, para quem opera empresa no Brasil: aproveitar o ciclo descendente para alongar dívida e reduzir custo médio ponderado de capital. A Selic vai a 13,50% até o fim do ano, na projeção do Banco Safra. Quem se preparar para essa janela nos próximos sessenta dias sai na frente.
O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,00% ao ano na reunião mais recente do Copom. O corte veio após a taxa permanecer em 15,00% em janeiro de 2026 e passar por reduções graduais em março, junho e agosto. A projeção do mercado, segundo o Focus, aponta Selic encerrando 2026 entre 13,50% e 13,75%.
Tenho recomendado para clientes de médio porte que usem esse ciclo para revisitar contratos de crédito rotativo assinados em 2024 e 2025, quando a Selic estava em 15,00%. Vejo empresas carregando custo de 3,1% ao mês em capital de giro quando já conseguem renegociar para 2,6% com o mesmo banco, só apresentando DRE atualizado e fluxo de caixa projetado. O corte da Selic cria margem, mas o banco repassa para quem pede.
Fonte: https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/21215/nota
O mercado brasileiro de fusões e aquisições movimentou US$ 17,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 114% em valor em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento publicado no Times Brasil. O middle market concentrou a maior parte das operações, com empresas de médio porte figurando tanto como alvos quanto como compradores estratégicos. O volume de transações caiu, mas o valor médio por operação subiu, indicando seletividade maior dos compradores.
O padrão que observo: empresa de médio porte recebe abordagem de M&A, o sócio fica animado com o número na primeira conversa, e três meses depois a negociação trava em auditoria porque o balanço tem passivo trabalhista não provisionado ou contrato de aluguel sem cláusula de cessão. O comprador desconta tudo isso do valuation. Empresas que chegam a uma mesa de M&A com governança arrumada fecham mais rápido e com menos deságio.
Fonte: https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/ma/mercado-ma-brasil-sobe-114-valor-2026/
Se esse tipo de análise faz sentido para a sua operação, me acompanhe no Instagram: @lucasm.mantovani. Publico bastante sobre gestão financeira, estrutura societária e decisões práticas de quem opera empresa no Brasil.
Lucas Mantovani
Empresário. Advogado. Co-fundador da SAFIE.
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