O Brasil tinha 15 pedidos de abertura de fintech por mês no Banco Central. Agora tem 2.
Esse número, publicado pelo SP Bancários em junho de 2026, resume o efeito concreto das novas exigências regulatórias que o BC vem empilhando desde 2025. A intenção declarada é fortalecer a capacidade das instituições de absorver riscos operacionais e tecnológicos. O resultado prático é que o custo de entrada no mercado financeiro subiu a um patamar que a maioria dos projetos novos não alcança.
Quem opera ou pretende operar no setor financeiro precisa entender o que mudou de verdade.
O BC não proibiu fintechs. Elevou o piso de governança, capital mínimo e estrutura de controles internos exigidos para funcionar. Fintechs B2B que operavam em regime simplificado agora enfrentam exigências de compliance, gestão de risco e reporte que antes eram exclusivas de bancos médios. O prazo para adequação correu, e quem não ajustou o modelo operacional antes do prazo viu a licença negada ou o processo travado indefinidamente.
Tenho visto isso de perto em alguns projetos. O empreendedor monta o produto, levanta capital seed, e descobre na fase de licenciamento que a estrutura societária que ele desenhou, com cláusulas de controle concentrado e ausência de comitê independente, não passa mais no crivo do BC. Volta dois anos no jogo.
O efeito colateral mais subestimado: esse endurecimento beneficia quem já tem licença. Bancos digitais consolidados, fintechs com escala e estrutura regulatória montada ficam com menos concorrência entrante. O mercado não sumiu. Ficou mais caro de acessar.
Para quem tem empresa fora do setor financeiro e usa fintechs como parceiras de crédito, pagamento ou gestão: o pool de fornecedores vai encolher nos próximos 18 meses. Negociar contratos com cláusulas de portabilidade e redundância de parceiro financeiro deixou de ser preciosismo e virou gestão de risco operacional básica.
Os pedidos de abertura de novas fintechs junto ao Banco Central recuaram de 15 para 2 por mês após as novas exigências regulatórias de 2025 e 2026. O BC justificou as medidas como necessárias para fortalecer a absorção de riscos operacionais e tecnológicos pelas instituições. Na prática, o custo de estruturar uma fintech dentro das novas regras inviabilizou a maioria dos projetos early stage.
Vejo isso acontecer com clientes que chegam com produto pronto e licença inviável. Um projeto de crédito B2B que acompanhei em 2025 passou oito meses no BC e teve o processo arquivado por ausência de comitê de auditoria independente, algo que a versão anterior da regulação não exigia com esse detalhamento. A barreira de entrada subiu, e quem já tem a licença acumula vantagem competitiva que não vinha do produto, mas da burocracia que os concorrentes não conseguem mais cruzar.
Fonte: https://spbancarios.com.br/06/2026/mais-regulacao-menos-fintechs-pedidos-de-abertura-no-bc-caem-de-15-para-2-por-mes
O primeiro trimestre de 2026 registrou 256 operações de fusão e aquisição no Brasil, com valor agregado de US$ 17,7 bilhões, alta de 114% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Merc Group. O número de transações caiu 43% no mesmo intervalo, o que indica tickets maiores e concentração em operações de médio e grande porte. O middle market respondeu pela maioria dos deals.
Na SAFIE a gente estruturou três operações de M&A no primeiro semestre, todas em empresas de médio porte, e o padrão que repete é o seguinte: o comprador chega com apetite, o vendedor sabe que o mercado está ativo, e a negociação emperra em passivo tributário não provisionado e cláusula de earn-out mal redigida. Mercado aquecido não elimina risco de execução, só aumenta a velocidade com que os problemas aparecem na mesa.
Fonte: https://www.mercgroup.com.br/insights/ma-brasil-1t26-valor-114-deals-43-novo-padrao
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Lucas Mantovani
Empresário. Advogado. Co-fundador da SAFIE.
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