O Copom cortou a Selic para 14% ao ano no começo de agosto. Mercado já projeta 13,75% até o fim de 2026. E o Focus aponta PIB crescendo perto de 2%.
Parece boa notícia. E é, em parte.
Mas quem opera empresa sabe que a taxa básica e o custo real do crédito são coisas diferentes. A Selic cai 25 pontos-base; o spread bancário para pessoa jurídica segue alto, o giro ainda custa caro, e a linha de capital de giro para médias empresas continua restrita. O corte chegou nos jornais antes de chegar na planilha.
O que muda de verdade nesse ciclo de queda gradual? Algumas coisas concretas:
Ativos com custo fixo de dívida ficam mais baratos de segurar. Quem tomou crédito indexado ao CDI com proteção de teto começa a ver alívio. Quem tem dívida de curto prazo rolando mês a mês ainda sente o peso total.
Contratação e expansão ficam menos arriscadas quando o custo de oportunidade cai. Com Selic a 15%, manter caixa parado rendia muito. A 13,75%, a conta começa a inverter: capital imobilizado na operação compete menos com capital aplicado.
M&A de médio porte acelera. Já vínhamos vendo isso no primeiro trimestre de 2026, com 256 transações e US$ 17,7 bilhões em valor agregado. Com crédito um pouco mais barato e valuation pressionado de um lado, comprador com caixa tem vantagem real agora.
O erro que vejo com frequência: empresa que usa a queda da Selic como argumento para antecipar investimento sem revisar o custo efetivo do crédito disponível para ela. A taxa básica é o piso. O que o banco cobra no balcão é outra conversa.
Ciclo de corte ativo muda o campo, mas não substitui gestão de caixa. Quem chegar ao fim de 2026 com estrutura de capital limpa vai ter espaço para crescer. Quem chegou endividado vai continuar pagando caro, independente do que o Copom decidir nas próximas reuniões.
O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14,00% ao ano na reunião de 5 de agosto de 2026. O mercado financeiro passou a projetar mais um corte de 25 pontos-base até dezembro, levando a Selic a 13,75% no encerramento do ano. O Banco Central sinalizou que o movimento é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta.
Tenho visto cliente de médio porte comemorar o corte como se o crédito tivesse ficado barato de vez. O spread bancário para PME não acompanha no mesmo ritmo: a Selic caiu 100 pontos-base desde o pico, mas o custo real de uma linha de capital de giro no balcão caiu menos da metade disso. O empresário que estrutura decisão de expansão com base na Selic manchete, sem checar o custo efetivo da linha disponível para ele, vai se surpreender na assinatura do contrato.
Fonte: https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/21215/nota
De 15 pedidos de abertura por mês para 2 por mês. Esse é o movimento registrado pelo Banco Central após o endurecimento das exigências regulatórias para fintechs ao longo de 2025 e 2026. O BC elevou as barreiras de capital mínimo, reforçou as exigências de cibersegurança e ampliou as obrigações de governança, PLD e estrutura organizacional. O processo de autorização, que já chegava a 360 dias, ficou ainda mais seletivo.
Na prática, isso significa que o mercado de meios de pagamento e crédito digital vai concentrar. Quem já tem licença vale mais. Vi isso acontecer com cliente que avaliava parceria com fintech pequena: antes do aperto regulatório, o pipeline de potenciais parceiros era grande; hoje, a maioria das que ficaram de fora do processo de autorização virou risco operacional. Para empresa que depende de infraestrutura financeira de terceiros, checar a situação regulatória do parceiro virou diligência obrigatória antes de assinar qualquer contrato.
Fonte: https://spbancarios.com.br/06/2026/mais-regulacao-menos-fintechs-pedidos-de-abertura-no-bc-caem-de-15-para-2-por-mes
Se você acompanha o jogo de perto e quer trocar sobre como essas movimentações afetam a operação no dia a dia, me encontra no Instagram: @lucasm.mantovani.
Lucas Mantovani
Empresário. Advogado. Co-fundador da SAFIE.
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